quinta-feira, 10 de março de 2016

Projeto de AEE Escola Estadual Augusto Ruschi - 2016

PROJETO/ PLANO DE AÇÃO
ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – E.E.E.B. AUGUSTO RUSCHI - 2016

Professora Bárbara Gai Zanini Panta (Educadora Especial)
Professora Ângela Neves Picada (Responsável pelo LIE)

Tema: Artes, construção de jogos e narrativas digitais: Construindo caminhos para a inclusão.

OBJETIVOS GERAIS

·         Oferecer o Atendimento Educacional Especializado a serviço da Educação Especial na escola de modo a complementar e/ou suplementar a formação do estudante conforme a Política de Educação Especial, na Perspectiva Inclusiva SEESP/MEC; 01/2008;

·         Realizar diagnóstico pedagógico assim como manter uma avaliação contínua de todo o processo de desenvolvimento do estudante.

·         Envolver a arte, a construção de jogos e as tecnologias da informação e comunicação como forma de incentivar a criatividade, imaginação do estudante, possibilitando a autodescoberta, autoestima e percepção de si e do outro;

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

·                  Utilizar a arte como ferramenta da construção de aprendizagens;
·         Promover a construção de jogos pelos estudantes buscando o seu desenvolvimento global;
·         As atividades artísticas e construção de jogos deverão desenvolver potencialidades dos estudantes, de acordo com cada plano individual de AEE;
·         Utilizar as áreas da arte plástica, arte literárias, arte cênica, música e dança;
·         Valorizar as características pessoais positivas do estudante e explorar suas potencialidades;
·         Trabalhar a autoestima do estudante, com vista a um reflexo na sua aprendizagem;
·         Buscar o envolvimento da família do estudante com o atendimento e com a escola;
·         Realizar uma exposição ao final do ano, com as produções artísticas e de construção de jogos dos estudantes;
·         Utilizar as narrativas digitais como recurso multimídia para registrar e acompanhar o desenvolvimento do estudante ao final de cada atividade.

JUSTIFICATIVA

            O projeto para o Atendimento Educacional Especializado deste ano foi pensado no sentido de envolver todos os estudantes. A arte, a construção de jogos e as tecnologias da informação e comunicação, vêm ao encontro do objetivo de desenvolver as potencialidades dos estudantes, considerando cada um como ser individual.
A arte está nas manifestações culturais e experiências que o ser humano tem ao longo da vida e todos podem participar à sua maneira das atividades. Além disso, a arte pode ser considerada uma forma de comunicação e manifestação de aprendizagens.
            O trabalho com a arte na escola, é muito mais que estimular a criatividade, mas traz também a liberdade do pensamento e traduz conhecimentos que não podem ser escritos ou falados. É uma linguagem à parte, uma forma de expressão que não exclui, não é exata, na arte não há o certo e o errado e por isso promove a inclusão.
            O AEE na Escola Augusto Ruschi envolve um grande número de estudantes com diversas necessidades específicas, com idades e fases diferentes de desenvolvimento. A utilização da arte e da construção de jogos tem o objetivo de envolver todos os estudantes, cada um com as suas potencialidades.
            Cada indivíduo pode realizar a sua leitura da expressão artística, isto traz a liberdade de não ser igual, de ter i direito de ser e fazer diferente. Além de um meio de expressão, a arte traz a organização mental, a aprendizagem para lidar com os materiais e transformá-los em instrumentos de linguagem.
A construção e utilização dos jogos possibilitará incentivar a criatividade, imaginação e reflexão do estudante possibilitando a autodescoberta, autoestima e percepção de si e do outro. Com as atividades em pequenos e grandes grupos considerando a proposta de interação entre todos os estudantes atendidos, será proposto o desenvolvimento das relações interpessoais, através do diálogo, do convívio, da escuta, da troca de experiências, da ajuda mútua e solidariedade.
        De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), a educação especial como modalidade de ensino tem o papel de disponibilizar os serviços e recursos próprios deste atendimento. Partindo deste princípio, pensamos a elaboração deste tema de acordo com os objetivos da modalidade de Educação Especial e do Atendimento Educacional Especializado.

O atendimento educacional especializado identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. (SEESP/MEC, 2008)

Através das atividades lúdicas em grupo, buscaremos o desenvolvimento da linguagem oral, corporal e expressiva assim como o avanço nas relações sócio afetivas, de cooperação e solidariedade e a constituição do sujeito como cidadão autônomo, inserido em seu contexto sociocultural.
Objetivos específicos e traçados individualmente serão desenvolvidos através das atividades diárias, tendo em vista a reorganização do esquema corporal, aprimoramento da coordenação motora, orientação espaço-temporal, equilíbrio e lateralidade.  
Sempre considerando as particularidades de cada estudante atendido, buscaremos atividades que estimulem a autogestão da vida prática, visando à autonomia, noções de alimentação, higiene, vestuário, entre outras necessidades pessoais e o estímulo da comunicação utilizando métodos orais, gestuais e de comunicação alternativa a fim de desenvolver a linguagem oral, compreensiva e expressiva.

REFERENCIAL

         A utilização da arte, da construção de jogos e das narrativas digitais como forma de ferramenta no trabalho do Atendimento Educacional Especializado é proveniente de um estudo sobre como estas ferramentas podem auxiliar no processo de aprendizagem do ser humano.
            Conforme Barbosa (2001), o que gera o desenvolvimento da cognição é a contextualização, e a arte auxilia neste processo. Destaca também, que muitas vezes a arte é vista e utilizada de forma equivocada na escola. Principalmente na educação infantil e ensino fundamental, a arte algumas vezes é utilizada como simples passatempo, com conotação decorativa ou de simples coloração de imagens.

Apesar de ser um produto da fantasia e da imaginação, a arte não está separada da economia, política e dos padrões sociais que operam na sociedade. Ideias, emoções, linguagens diferem de tempos em tempos e de lugar para lugar e não existe visão desinfluenciada e isolada. Construímos a História a partir de cada obra de arte examinada pelas crianças, estabelecendo conexões e relações entre outras obras de arte e outras manifestações culturais. (BARBOSA, 2001)


A utilização da arte             neste projeto visa justamente isso, integrar os estudantes em uma visão mais ampla do que o conteúdo puro do currículo que muitas vezes deixa alguns alunos de fora pela maneira como é colocado em sala de aula regular. Através da arte se pode trabalhar aspectos de vários conteúdos de uma maneira muito mais expressiva, compreensível e inclusiva.
De acordo com Gardner (1994) existem sete tipos de inteligências: linguística, musical, lógico-matemática, espacial, sinestésica, intrapessoal e interpessoal. As pessoas, tendo alguma deficiência ou não, raramente tem todas as inteligências muito bem desenvolvidas. Cada indivíduo possui estágios básicos em cada uma das inteligências, porém tem uma tendência a desenvolver melhor uma ou duas destas, e é preciso respeitar esta diferença.
 Gardner (1994), em sua teoria, recomenda cinco esforços para estímulo às diferentes inteligências: Conhecer cada aluno; Oferecer oportunidades diversas; Valorizar tendências; Ampliar interesses e Administrar relações entre o geral e o particular (tendência individual x cultural). A arte possibilita o estímulo das diferentes inteligências através destes esforços, assim como a construção de jogos e a utilização das narrativas digitais.
O jogo vem sendo cada vez mais valorizado e utilizado por muitos educadores devido às teorias e pesquisas realizadas a respeito do seu beneficio, que trazem resultados muito significativos. Nas atividades com jogo, é possível desenvolver uma melhor comunicação, respeito pelo outro e a melhor aceitação de restrições ou regras coletivas, além de autonomia pessoal.
Segundo Almeida (2008), a concepção sobre o desenvolvimento do indivíduo foi se modificando ao longo da história, o mesmo está inserido em um meio onde recebe as informações, assimila e as transforma. Portanto, o seu desenvolvimento cognitivo resulta da sua interação com o meio social em que vive, estruturando esquemas e reconstruindo conceitos dos objetos sob os quais interage. O jogo entra, então, como uma maneira de construção social, pois está ligado ao contexto social em que o estudante vive, e, assim, os jogos revelam a cultura de uma sociedade.
Vygotsky (1998) afirma que o jogo é um fator muito importante do desenvolvimento e mostra o significado da mudança que ocorre no desenvolvimento do próprio jogo, com a predominância de situações imaginárias, para a predominância de regras. 
Enfrentando os desafios do jogo, o estudante utiliza recursos cognitivos parecidos com os que são exigidos para a solução de problemas da sua vida diária e de situações de aprendizagem em sala de aula.
Serão utilizados, além dos jogos existentes na Sala de Recursos e jogos interativos utilizando as TICs, materiais recicláveis na confecção dos jogos, trazidos de casa pelos estudantes e professores. Este ato já suscita um estímulo ao cuidado com o meio ambiente, tema que será trabalhado em sala de recursos envolvendo o contexto dos jogos.
Passamos atualmente por momentos difíceis nas escolas públicas no que diz respeito à recursos financeiros. Como este projeto propõe priorizar o uso de materiais recicláveis, ajuda a promover a conscientização sobre o cuidado com o meio ambiente.
Os materiais serão transformados em jogos e criações artísticas, além disso, produziremos tintas confeccionadas na Sala de Recursos com material natural. No AEE, será realizado o processo de aprender a utilizar o material artístico e transformá-lo em instrumento de linguagem expressiva, possibilitando a todos, independente da capacidade de fala, leitura ou escrita, o direito de mostrar para o mundo a sua criatividade.
As atividades lúdicas envolverão aspectos motores, psicomotores, cognitivos e afetivos, além do desenvolvimento da percepção visual, tátil, discriminação de cores e formas, noção espaço-temporal, lateralidade, dentre outros aspectos do desenvolvimento global.
Segundo Winnicott (1975), é utilizando a criatividade que acontece realmente a percepção, que se assimila o conhecimento. O jogo possibilita que o estudante utilize a sua capacidade de criar, de experimentar diferentes processos de pensamento, proporcionando esse processo de experimentação.
O trabalho de confecção de jogos passará por várias etapas, como a seleção e recolhimento dos materiais, a própria construção e a aplicação dos mesmos. Este trabalho envolverá os estudantes em uma construção colaborativa de aprendizagem, pois cada grupo irá fazer a sua parte para que o resultado final do jogo ocorra. Após a construção dos jogos pelos estudantes, eles irão colocá-lo em prática durante os atendimentos e atividades do AEE, além de poderem levar para a sala de aula regular e utilizarem junto aos colegas.
Com o intuito de realizar uma avaliação e acompanhamento contínuo do processo de aprendizagem dos estudantes, utilizaremos como mais um recurso tecnológico as Narrativas Digitais.
Segundo Azeredo e Reategui (2013), as histórias contribuem para a construção da aprendizagem do sujeito uma vez que auxiliam no desenvolvimento da imaginação, criatividade, do pensamento e da compreensão.
As Narrativas Digitais entram como uma ferramenta utilizada pelos estudantes e por nós educadoras, para relatar em forma de uma história como ocorreu o processo de construção do conhecimento, utilizando a construção dos jogos e outras atividades desenvolvidas no AEE em Sala de Recursos ou em outros espaços da escola.
Para a elaboração destas narrativas, consideraremos as particularidades e potencialidades de todos os estudantes e serão utilizados vários tipos de recursos multimídia, tais como: Narrativas escritas, ilustrações, vídeos e/ou áudios. Posteriormente, as narrativas serão publicadas no Blog do AEE (http://aeebarbara.blogspot.com.br/) para o livre acesso de toda a comunidade escolar.




CRONOGRAMA


Ações a serem realizadas
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Construção do Projeto/Plano de Ação
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Levantamento da demanda de estudantes
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Distribuição de Horários
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Reuniões com a equipe diretiva e familiares
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Reuniões com a equipe escolar (quartas-feiras)
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Aplicabilidade e publicação: Mostra Pedagógica




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Aplicabilidade e publicação: Narrativas Digitais e Blog

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Plano de AEE individual do estudante
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Ajuste




Avaliação



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZEREDO, D. C. REATEGUI, E. A Construção de Narrativas Digitais como Apoio ao Processo de Letramento. Novas Tecnologias na Educação. CINTED – UFRGS. V.11, nº 1, 2013

BARBOSA, A. M. Arte-Educação: leitura no subsolo. 3. Ed. São Paulo: Cortez, 2001.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. MEC/SEESP, 2010

GARDNER, HOWARD. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

PIAGET, J. A Formação do símbolo na criança: imitação jogo e sonho, imagem e representação. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

_____. Psicologia e pedagogia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1976.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1996.

_____. Pensamento e linguagem. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1998.

WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago. 1975.






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